sexta-feira, 18 de junho de 2010

LUTO



Hoje o mundo literário está de luto. Morreu Saramago. Considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.

José Saramago ficou conhecido mundialmente com seus romances controversos, datados ou não, e sua linguagem bem peculiar. Lembro-me como se fosse hoje a primeira vez que lí um livro seu. "Memorial do convento" e pirei com a total falta de vírgulas. Tentei escrever textos dispensando-as e tentando fazer-me entender como ele o fazia. Não consegui!

Minha paixão tomou forças quando lí "O Evangelho segundo Jesus Cristo" uma releitura do Evangelho pela visão de um Jesus humanizado. O que despertou a ira dos conservadores e lógico, da hipócrita Igreja Católica.

"Ensaio sobre a cegueira" impactante. Que mais tarde veio a virar filme (Uma bosta por sinal!!)

Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.

Seu ultimo livro "CAIM" lançado em 2009, voltou a tocar na ferida da Igreja com sua visão mordaz, irônica e irreverente. Recebeu fortes críticas, na sua maioria incitada pela Instituição sagrada. Na obra, Saramago exercita a sua liberdade de expressão apontando Deus como "autor intelectual do crime, ao desprezar o sacrificio que Caim havia lhe oferecido".

Saramago classificou tal polêmica como "uma espécie de fartar-vilanagem", dizendo que ela nem sequer lhe "tocou a pele" e que resistiria "a todas as canalhadas que se façam à volta do livro e de sua figura.

A crítica principal é que não deveria ter feito uma literatura literal em lugar de simbólica", mas que "o problema é que as visões simbólicas são muitas", sendo, na verdade, as críticas por ele não ter feito uma "interpretação simbólica", críticas por ele não ter interpretado a Bíblia em conformidade com a interpretação católica. E, considerando o dito por Inês Pedrosa, de que "numa sociedade laica e livre ninguém tem que se fixar às leituras alheias" Saramago interpretou a Bíblia de acordo com as suas convicções. Segundo católicos que se manifestaram na mídia, "Caim e Abel simboliza a disputa de irmãos pela primazia, pelo amor do Pai. É o amor de Deus que ambos tentam conquistar". Mas é justamente esse tipo de simbolismo que Saramago considera repugnante, gerador de exclusão, intolerância, perseguição e guerras ("santas") religiosas, e ao qual ele dá uma interpretação em seu livro com um olhar irônico.

Apesar da campanha contrária da Igreja Católica, ela não conseguiu afastar os leitores, conforme dito por Saramago, "que não se deixaram intimidar pelo arraial", e o livro teve uma excelente vendagem já em seu lançamento, comprovando ser um grande sucesso de vendas.

Em Portugal, foram vendidos mais de 70 mil exemplares em pouco mais de dez dias, sendo colocada uma 4ª edição no mercado, totalizando 80 mil exemplares colocados no mercado português contados dez dias desde o lançamento do livro. No Brasil, o livro rapidamente entrou na lista dos mais vendidos. Em espanhol, a tiragem inicial de Caim foi de 130 mil exemplares, segundo a editora Alfaguara.
(Fonte Wikpédia)

Será que a Igreja ainda não se tocou que as obras rejeitadas por Ela rapidamente se tornam as mais bem sucedidas? Um efeito contrário do desejado?

Que diga Madonna com "Like a prayer", com a tour "Blondie ambition"! Aff...

Luto!

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